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De quem assistia à mãe para quem entra em campo

De quem assistia à mãe para quem entra em campo

Anos depois de acompanhar a mãe nas Olimpíadas, Rodrigo Sampaio Teles vive, em Aracaju, sua primeira ONJF como atleta

Aos 36 anos, Rodrigo Sampaio Teles já conhecia a Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF) antes mesmo de imaginar que um dia faria parte dela. Na memória, ainda está a imagem de quando acompanhava a mãe, Joana Angélica Sampaio Teles, nos jogos da Justiça do Trabalho. Era início da adolescência, quando Fortaleza, sua cidade natal, foi sede dos jogos.

“Foi muita movimentação. Saíamos para torcer pela minha mãe e pelos colegas dela. Nunca esqueci daquela experiência”, contou. Na infância, ele era espectador. O que ainda não sabia era que, muitos anos depois, estaria do outro lado. Na 23ª edição, Rodrigo chegou a Aracaju com uniforme, chuteira e uma nova função: atleta.

A paixão pelo esporte, que começou nos jogos escolares e passou pelas competições universitárias, também acompanhou sua escolha profissional. Depois de se formar em Direito, decidiu estudar para concurso público e viu na Justiça do Trabalho a possibilidade de conciliar carreira e esporte.

“Eu sempre gostei do esporte e, vendo ela participar, me despertou: eu poderia resolver minha vida ao passar no concurso e ainda continuar praticando esporte.”
Em 2017, foi aprovado no concurso do TRT11-AM/RR, mas acabou sendo aproveitado pela Justiça Federal do Maranhão. Por alguns anos, ficou distante da ONJF, até descobrir, em 2025, que os órgãos do Judiciário Federal também poderiam participar. O convite de um colega foi o empurrão que faltava.

Em Aracaju, estreou no futebol soçaite pelo TRT16-MA e rapidamente ganhou espaço na equipe. E, para aproveitar a experiência até o fim, ainda se arriscou em uma modalidade inédita: o vôlei de praia, que começou a treinar apenas há dois meses e meio antes das competições.

A preparação para os jogos exigiu uma coisa: mudança de rotina. Musculação, cardio e alimentação mais regulada passaram a fazer parte do dia a dia de forma mais disciplinada. “Precisei ser mais constante no treino para buscar ter um bom desempenho nas provas, e isso acaba impactando no meu trabalho e na minha vida pessoal, trazendo mais saúde”, contou.

Mas talvez a maior transformação esteja na maneira como Rodrigo enxerga a própria Olimpíada. No refeitório, entre atletas de diferentes regiões, ele observa a quantidade de histórias reunidas no mesmo lugar e reconhece que agora também faz parte delas. “Cada um tem uma história, um caminho para chegar até aqui”, disse.

Para Rodrigo, a experiência também vai além das quadras e dos campos. Ele aproveitou a viagem a Aracaju para emendar as férias e seguir pelo litoral nordestino, transformando a participação na ONJF em uma oportunidade de conhecer novos lugares. É justamente essa combinação que faz a expectativa pelos jogos durar o ano inteiro: a chance de rever os colegas, viver novas experiências e descobrir, a cada edição, um novo destino. “O evento promove turismo, promove saúde, promove integração. É motivo para ficar ansioso o ano todo pensando nos jogos, nos colegas e no novo local que vai conhecer.”

A dele começou em Fortaleza, na torcida pela mãe. Passou pelos estudos, pelo concurso e por alguns anos de espera. E desembarcou em Aracaju, dentro de campo. Hoje, Rodrigo não acompanha mais a Olimpíada da arquibancada. Ele é parte do jogo.

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