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Equipe feminina de tiro do TRT11-AM/RR conquista primeiro lugar inédito na ONJF

Equipe feminina de tiro do TRT11-AM/RR conquista primeiro lugar inédito na ONJF

A equipe feminina de tiro esportivo do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11-AM/RR) alcançou, pela primeira vez na história, o primeiro lugar por equipe, durante a 22ª Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF), realizada em Foz do Iguaçu (PR). A vitória inédita coroa um ciclo de evolução contínua, marcado por investimento, disciplina e superação.

A formação campeã, composta pelas atletas Carol Cabrinha, Marta Melo e Janete Belchior, chegou ao topo após anos de aperfeiçoamento técnico e amadurecimento competitivo. Para Janete, a conquista representa não apenas um título, mas a consolidação de um trabalho persistente e silencioso, construído ao longo de várias temporadas.

A história da equipe feminina do TRT11 no tiro esportivo começou com uma estrutura limitada, treinos amadores e equipamentos básicos. Aos poucos, trilharam um caminho de amadurecimento técnico e construção de experiência competitiva, o que ajudou na mudança dos resultados. “Foi um processo gradativo. Cada ano trouxe novas aprendizagens, investimentos e ampliação da nossa capacidade técnica”, relata Janete.

O caminho até o ouro exigiu sacrifícios e dedicação fora do comum. A equipe treinou duas vezes por semana em um stand localizado a cerca de 40 minutos de suas residências, enfrentando trânsito intenso após longas jornadas de trabalho. As sessões, de três horas (18h às 21h), ainda se estendiam aos sábados, das 9h às 12h. Além da rotina apertada, houve investimento financeiro significativo e um acompanhamento técnico profissional. “Era muito amor pelo esporte, mas valeu cada esforço”, resume Janete, entre risos.

Confira o progresso da equipe:

Linha do tempo das conquistas

2018 – 5º lugar (Elilian, Ione e Janete) – Blumenau
2019 – Bronze (Elilian, Ione e Janete) – Belo Horizonte
2022 – Bronze (Carol, Ione e Janete) – Blumenau
2023 – 3º lugar (Ione, Carol e Janete) – João Pessoa
– Início da profissionalização: carabinas novas, treinos em stand adequado e contratação de técnico.
– Filiação à Federação Amazonense de Tiro Esportivo para ganho de ritmo competitivo.
2024 – 2º lugar (Carol, Marta e Janete) – Manaus
– Novas carabinas, intensificação dos treinos e participação em torneios locais.
2025 – 1º lugar (Carol, Marta e Janete) – Foz do Iguaçu
– Carabinas totalmente personalizadas, treinos de alto rendimento e acompanhamento de técnico com representatividade nacional.

A adrenalina da competição e o momento da virada

O dia da competição que levou ao ouro foi marcado por tensão extra: antes de entrar no stand, as atletas disputaram a prova de arremesso de peso, que exigiu força e explosão, justamente o oposto do controle fino necessário no tiro esportivo. Entre a adrenalina do arremesso e a precisão da carabina, foi preciso reduzir batimentos cardíacos, controlar a respiração e relaxar os braços.

Entre as três, Marta viveu uma experiência ainda mais desafiadora. Este foi apenas seu segundo ano competindo no tiro esportivo, modalidade pela qual se apaixonou há três anos, e onde já havia conquistado a prata por equipe em 2024. Na edição de 2025, além do tiro, ela participou dos três dias de provas do atletismo. Logo na primeira prova, os 100m rasos, sofreu uma lesão na posterior da coxa, um impacto que carregou durante toda a semana.

No dia do arremesso de peso, a dor intensa fez Marta cogitar desistir da prova para poupar o corpo para o tiro, modalidade em que mais investiu e que exige precisão, estabilidade e respiração controlada. “Não consegui fazer um aquecimento completo, mas, incentivada pelas minhas companheiras, acessei um espaço mental além do desconforto”, recorda. O esforço valeu a pena: conquistou a prata em sua categoria no atletismo, mesmo lesionada.

Enquanto Carol e Janete seguiram para o stand de tiro, Marta ainda precisou retornar ao hotel para buscar o equipamento e tentar aliviar a dor com um banho quente. A equipe competiu na última tanda do dia justamente para ter tempo de desacelerar após as provas. Ainda assim, a lesão agravada afetou seu equilíbrio na linha de tiro. “A mira parecia desalinhada, mas percebi que era o meu corpo que já não respondia como de costume. Esforcei-me para manter a calma e evitar erros que, para mim, seriam inadmissíveis.”

O conjunto dessas superações, técnicas, emocionais e físicas, levou ao ouro inédito, que teve sua confirmação de forma inesperada. Depois de Carol e Marta concluírem suas séries, faltava apenas a pontuação de Janete para definir o título. A arbitragem já havia divulgado as notas das demais regionais, e a soma final dependia exclusivamente do último conjunto de alvos. Quando Carol fez a soma dos pontos das três, arregalou os olhos e anunciou em voz baixa: “Somos campeãs.”

A notícia inicialmente foi recebida com cautela diante de tamanha surpresa. Só após a confirmação visual, a ficha caiu definitivamente, acompanhada de uma emoção incontrolável e de uma comemoração contida, porém intensa. “Foi indescritível. Tudo o que enfrentamos, as dores, as lesões, os desafios emocionais e o peso dos investimentos, valeu a pena”, contou Janete. Para Carol, a vitória foi uma surpresa e tanto. “O esporte trabalha muito a paciência, faz a gente acalmar o ritmo porque precisa de muita concentração”, relata, ao destacar a importância do tiro em sua vida pessoal.

Destaque individual

Além do título por equipe, Janete conquistou o 2º lugar individual na modalidade, decidida no critério de desempate com a atleta Ivy, de Minas Gerais, considerada uma das melhores da modalidade. A definição veio apenas na comparação dos pontos 12, 10 e 9, com vitória mineira por diferença mínima. “Faltou um ponto, e eu sei exatamente onde errei”, comenta. “E isso me motiva ainda mais a treinar.”

A equipe está em recesso dos treinos, com retorno previsto para fevereiro de 2026. Uma das estratégias é participar de todas as competições da Federação Amazonense de Tiro Esportivo para se manterem competitivas. A equipe, agora campeã nacional, segue firme na disciplina e mostra que a dedicação e coragem podem transformar resultados. “Foi a primeira vez que o Amazonas conquistou o ouro na modalidade. É algo histórico, especialmente porque éramos uma incógnita para muitos”, finaliza Janete.

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