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O esporte como caminho para a inclusão

O esporte como caminho para a inclusão

Servidora do TRT1 e pessoa com deficiência, atleta encontra na 23ª ONJF um espaço de representatividade, convivência e novas possibilidades

Para quem vê Laura Lis dentro da piscina, alcançando a chegada e depois com duas medalhas de ouro no peito, pode parecer que a história começou ali. Mas a relação dela com o esporte vem de muito antes e ganhou novos significados ao longo do caminho.

Neste 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, contamos a experiência de Laura na 23ª ONJF, uma edição que tem celebrado a inclusão, a representatividade e novas possibilidades por meio do esporte.

Servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1) desde 2024, Laura participa pela primeira vez da Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF). Em Aracaju, já subiu duas vezes ao lugar mais alto do pódio na natação: venceu os 50 metros livre PCD e também os 400 metros livre geral, na categoria geral de 35 a 39 anos, com o tempo de 8 minutos e 9 segundos.

Mais do que as medalhas, porém, a experiência tem sido uma descoberta. “Eu estou adorando. É um clima muito legal, bem familiar. Já me arrependi de não ter vindo antes”, conta. Laura já havia passado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT15), mas foi no ano passado, com a criação do Subcomitê Paralímpico do TRT1-RJ, que passou a conhecer melhor a Olimpíada. Neste ano, decidiu fazer parte da delegação do Rio de Janeiro, que considera grande e animada.

A participação também trouxe uma percepção importante sobre as próprias competições. Para ela, a existência de categorias específicas para pessoas com deficiência faz diferença e pode tornar a disputa mais inclusiva. “Antes eu via que não tinha tanta questão de diferenciação na categoria e acaba que em muitas provas isso faz diferença.”

Uma nova relação com o esporte
A natação já fazia parte da vida de Laura quando ela era criança. Na época, chegou a participar de competições, mas passou muitos anos longe das piscinas. Em 2016, após uma amputação, o esporte voltou a ocupar um espaço importante em sua rotina. Laura escolheu a natação para continuar se movimentando e, aos poucos, a modalidade se transformou em muito mais do que uma atividade física.

Quatro anos depois, ao se mudar para o Rio de Janeiro, ela descobriu as águas abertas e passou a nadar no mar. Foi ali que encontrou sua modalidade preferida. Agora, em Aracaju, a atleta também se prepara para um novo desafio: o atletismo. Ela vai disputar as provas de 100 e 200 metros rasos específicas para pessoas com deficiência e utilizará uma lâmina própria para correr.

A experiência é nova e desafiadora, mas faz parte de uma trajetória que tem no esporte uma ferramenta de autonomia, fortalecimento e inclusão. “O esporte sempre ajuda na inclusão de uma pessoa com deficiência, no fortalecimento do corpo. Precisamos estar cada vez mais preparados”, disse.

Desde o ano passado, a Olimpíada Nacional do Judiciário Federal conta com um Comitê Paralímpico dedicado a ampliar a participação e promover a inclusão de atletas com deficiência nos jogos. Na edição de 2025, a iniciativa começou de forma simbólica, com duas provas de atletismo e a participação de quatro atletas PCD.

Em 2026, o movimento ganhou novas dimensões. O número de atletas com deficiência inscritos triplicou, e a programação passou a contemplar também outras modalidades, como natação e futebol de mesa. Mais do que ampliar o número de provas, a mudança representa a construção de um espaço cada vez maior para que atletas com diferentes deficiências possam participar, competir e trocar experiências dentro da maior competição esportiva do Judiciário Federal.

A 23ª edição da Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF) conta com o patrocínio e apoio do Sicoob, da Funpresp-Jud, da Prefeitura de Aracaju, do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT20-SE) e da Astra20.

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